Ahhh, uma contribuição para o meu blog. Finalmente! Consta-me que isto foi escrito numa aula de TGOE (típico) e, segundo o próprio poeta, "tem umas composições mesmo à EU que pouca gente gosta". Mas a verdade é que se trata de um resumo bem conseguido do nosso calvário...
Luís Soares é aluno do 1º ano da FAUP, contando já com uma carreira de desgostos, nomeadamente o não ter conseguido entrar em Guimarães, sua primeira opção. Para mais informações sobre o Homem que Não Entrou em Guimarães, ver foto.
“O Faupino”
Viva a Arquitectura!
Marquei a minha sentença
Ela não é a minha cura
Ela é a minha doença.
Não acerto na baliza
Acho que tou com azar
Só sei que como Siza
Do pequeno almoço ao jantar.
Rica vida, esta é
Com pontos de situação
Do edifício ao bidé
Há que achar a perfeição.
O que andamos cá a fazer?
Isto ainda é seis anos
Já não sei o que é prazer
Nem sequer se passamos.
Nesta grande faculdade
O ensino é regrado
Trabalho e sensibilidade
Querem-no consumado.
Só pinto, só risco
Só vejo, só meço
Ora bolas pra isto
Passo a vida a fazer processo.
Não tenho tempo pra nada
E este curso é bem caro
Esquisso ou aguada
Quase não durmo, quase não paro.
Pelo meio de fotos e rectas
Andamos sempre preocupados
Às vezes apanhamos secas,
Ai! Somos uns grandes quilhados.
De horário carregado
Deambulamos pelo Porto
Com um cansaço cravado
Ui! Que me dói o corpo.
As férias quem as tinha?
Exames é salve-se quem puder
A matéria ninguém adivinha?
Copiar é por onde se quiser.
Temos as ricas propinas
Nos bancos em que sentamos
E a qualidade das cantinas
Bem a não encontramos.
Com datas sempre a queimar
Somos dedicados e prestados,
São directas a fartar
E ainda saímos frustrados.
Vive-se com poucos “Enas”,
Um pormenor que é pena
Mas são estas cenas
Que me fazem escrever este poema.
Fernado Joe
em
“Outrónimos”
“À esferovite e à senhora da papelaria”
Luís Soares